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Boca da Mata em Alagoas fecha ruas com correntes e cadeados para conter violência

Depois de sofrer com os frequentes casos de assaltos, as autoridades do município de Boca da Mata (AL), a 68 km de Maceió, criaram uma tática diferente para conter a violência que assustava os moradores. Hoje, correntes e cadeados fecham quatro das cinco ruas que dão acesso ao centro do município, que tem 25 mil habitantes. Por determinação do Conselho de Defesa Social de Boca da Mata (Conds), quem vai ao centro comercial é obrigado a parar o veículo longe das ruas centrais e as pessoas só podem transitar a pé.


A decisão de fechar as ruas veio depois da ameaça de fechamento da única agência bancária da cidade, do Banco do Brasil, devido a oito assaltos. A última investida contra o banco aconteceu em outubro de 2009, mas por conta da greve dos bancários, os assaltantes acabaram roubando a Casa Lotérica, que fica na saída da cidade.


Cidade aprisionada em Alagoas
Para o presidente do Conds, José Gilson da Costa Neves, a decisão trouxe mais segurança para os estabelecimentos comerciais, banco, e para as pessoas que trabalham ou passam pelo centro. “Qualquer pessoa poderia ser vítima de assalto a qualquer hora se não tivéssemos estancado o trânsito de veículos. Já registramos aqui assaltos onde pessoas que passavam pelo local na hora da ação criminosa foram feitas reféns”, alegou, assegurando que desde outubro do ano passado a cidade não registra assaltos.


Com apenas 10 policiais militares no efetivo, o sargento Humberto Calado era o responsável pelo comando da equipe que fazia a segurança do centro quando o UOL Notícias visitou a cidade nesta terça-feira (26). Para ele, o fato do centro ter apenas uma rua aberta ajuda a polícia a controlar as ações de criminosos. “Antes tínhamos cinco ruas que davam opções de fuga para várias áreas da cidade. Agora, com o fluxo menor de veículos circulando e a nossa presença aqui próxima à única rua aberta, dificulta essa ação. Isso com certeza ajudou a reduzir o número de ocorrências”, afirmou.


Decisão divide população
Defendido pelas autoridades do município, o fechamento das ruas causa polêmica entre a população. Se por um lado, o Conds atribui à medida a diminuição do número de assaltos, a maioria dos moradores e comerciantes alega que o fechamento só causa transtornos à população.


Para o taxista Valdomiro da Silva, que trabalha no local, a redução da violência veio por conta das rondas feitas pela polícia. “Essas correntes atrapalham a vida de todo mundo. Quando os bandidos querem roubar por aqui, eles arrumam um jeito e passam. Depois que as rondas da polícia aumentaram, os crimes diminuíram”, contou.


O também taxista Jorge Sandro reclama que o direito de ir e vir do cidadão foi prejudicado depois do fechamento das ruas. “As autoridades deveriam encontrar alguma solução mais prática. Não podemos ser penalizados porque ninguém consegue acabar com esses assaltos e a única beneficiada é agência bancária. Nós perdemos muito tempo fazendo uma volta em torno das ruas para poder entrar aqui na nossa praça. Nossos clientes também reclamam porque temos de parar longe do destino deles”, disse.


O comerciante Jovalmildo Guimarães, proprietário de uma padaria, se diz prejudicado com os transtornos causados pelo fechamento das ruas, e destaca que os bandidos passam pelas calçadas, a pé ou de moto. “Meu movimento caiu depois dessas ruas fechadas. É uma complicação para a gente chegar à minha padaria. Pago meus impostos e só o banco teve privilégios. Os pedestres se arriscam ao dividir as calçadas com as motos. Sem contar que os ladrões que usam motos têm livre acesso às ruas. Ou seja, fomos penalizados”, apontou.



A vendedora de uma loja de móveis e eletrodomésticos, Fernanda Costa, também não poupou críticas ao fechamento das ruas. Segundo ela, a medida prejudicou os comerciantes. “Trabalho aqui há três anos e não acho que o uso das correntes contribuiu para conter a violência. Elas atrapalham a carga e descarga da loja, pois temos de estacionar os caminhões longe do depósito”, afirmou.


Já o feirante João Antonio Leite, que teve o filho e o primo reféns no último assalto a banco em 2007, reclama dos transtornos, mas acredita que a medida contribuiu para a diminuição no número de ocorrências. “Pedi para todos os santos que não houvesse troca de tiros, pois meu filho e meu primo estavam com as cabeças na mira das armas. Se a polícia tivesse chegado a tempo eles poderiam ter saídos mortos”, contou ele, assegurando que, “graças a Deus”, os familiares foram libertados sem ferimentos.


fonte: UOL Noticias

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